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Agosto 2026Athene Macro · Análise Estratégica

Apresentamos o relatório de evolução macroeconômica da Athene Macro, contextualizando as principais transformações conceituais que marcaram a transição entre as leituras de Julho e as novas dinâmicas observadas em Agosto de 2026.

Evolução do Cenário Macroeconômico: Julho vs. Agosto

Dinâmica Global de Risco

  • Em Julho: As tensões geopolíticas recrudesceram, gerando novo choque de aversão ao risco. O cenário global passou a precificar um ambiente de fragmentação comercial mais persistente, com tarifas e barreiras crescentes entre grandes blocos econômicos.
  • Em Agosto: A fragilidade dos dados do mercado de trabalho americano — perda inesperada de 23 mil empregos em julho — reduziu as expectativas de alta do Fed, beneficiando ativos de risco e metais preciosos. O ambiente global migrou de aversão ao risco para uma busca por proteção em ativos-refúgio, com o ouro e a prata liderando os ganhos.

Comportamento do Câmbio

  • Em Julho: O Real estabilizou-se próximo a R$ 5,15, com leve apreciação em relação a junho, refletindo a combinação de um forte fluxo exportador e melhora no apetite global por risco.
  • Em Agosto: O Real continuou apreciando, atingindo R$ 5,08 — o menor patamar desde o início do ano. O movimento reflete a continuidade do fluxo exportador, entrada de capitais estrangeiros e a melhora no diferencial de juros, com o Copom iniciando o ciclo de cortes da Selic de forma gradual e controlada.

Inflação e a Curva de Juros

  • Em Julho: As projeções do Relatório Focus mostravam IPCA projetado em 5,12% para 2026, com a curva de juros precificando uma Selic terminal estruturalmente elevada.
  • Em Agosto: O Copom reduziu a Selic para 14,00% a.a. em 5 de agosto, iniciando o ciclo de afrouxamento monetário. As expectativas de inflação caíram pela quinta semana consecutiva, com o IPCA projetado em 5,03% para 2026 — ainda acima da meta de 4,50%, mas em clara trajetória de convergência. A mediana do Focus aponta 13,75% para o fim do ano.

Destaque do Mês

A Corrida dos Metais Preciosos

Agosto marca a aceleração de um movimento estrutural: a busca global por ativos-refúgio. O ouro rompeu a barreira dos US$ 4.350 por onça, acumulando valorização de 30% no ano e 8,9% apenas no último mês. A prata acompanhou o movimento com ainda mais força, saltando para US$ 64/oz — uma alta de 71% no ano e 11,5% no mês.

O catalisador imediato foi a fragilidade dos dados do mercado de trabalho americano: a economia dos EUA perdeu 23 mil empregos em julho, contra expectativa de criação de 80 mil, reduzindo as probabilidades de um novo aperto monetário do Fed. Somam-se a isso as tensões persistentes no Estreito de Ormuz e a forte demanda industrial chinesa por prata, com importações de minérios prateados crescendo 62,5% no acumulado anual.

Para o investidor brasileiro, a exposição a metais preciosos — seja diretamente via commodities internacionais ou via ações de mineradoras — emerge como componente estratégico de proteção do poder de compra em um cenário de incerteza fiscal e geopolítica global.

Análise Conceitual Comparativa por Classe de Ativos

Metais Preciosos — Ouro e Prata

  • A Visão em Julho: Ouro e prata operavam em recuperação gradual, com o ouro próximo de US$ 4.000/oz e a prata em torno de US$ 58/oz, ancorados pela incerteza geopolítica e pela demanda industrial por prata.
  • A Visão em Agosto: Metais preciosos disparam: o ouro ultrapassou US$ 4.350/oz (+30% no ano e +8,9% no mês), enquanto a prata saltou para US$ 64/oz (+71% no ano e +11,5% no mês). A valorização foi impulsionada pela combinação de dados fracos do mercado de trabalho americano, que reduziram as expectativas de aperto do Fed, com a intensificação da busca global por ativos-refúgio e a forte demanda industrial chinesa por prata — importações de minérios prateados saltaram 62,5% no acumulado anual.

Renda Fixa Indexada à Inflação (IPCA+)

  • A Visão em Julho: As taxas reais permaneciam em níveis historicamente atrativos, acima de 7,5% em pontos longos da curva, com risco soberano adicional decorrente da trajetória fiscal.
  • A Visão em Agosto: Com o início do ciclo de cortes da Selic, as taxas reais continuam atrativas mas a curva passa a precificar uma queda gradual dos juros. O ambiente de convergência inflacionária favorece a manutenção de posições longas em NTN-B, com o prêmio real ainda compensando adequadamente o risco fiscal residual.

Renda Variável (Ações)

  • A Visão em Julho: A aversão ao risco persistia, com forte saída de capital estrangeiro e correção acentuada dos setores cíclicos, priorizando empresas com caixa robusto e baixa alavancagem.
  • A Visão em Agosto: O corte da Selic cria um ambiente mais favorável ao mercado acionário, com potencial melhora dos fluxos estrangeiros. No entanto, a cautela persiste diante do cenário fiscal e da incerteza global, mantendo o foco em empresas com previsibilidade de caixa e capacidade de repassar pressões de custo.

Ativos Internacionais e Moeda Forte

  • A Visão em Julho: A alocação internacional exercia duplo papel estratégico: captura do crescimento de economias desenvolvidas e hedge contra a depreciação do Real.
  • A Visão em Agosto: Com o Real apreciando para R$ 5,08, o papel de hedge cambial da alocação internacional se modera no curto prazo. Contudo, a exposição em moeda forte permanece estruturalmente relevante como proteção contra choques fiscais e como veículo de acesso à valorização de metais preciosos e commodities globais, que lideram os ganhos no cenário atual.

Filosofia de Gestão e Perspectivas

A transição para Agosto traz um cenário de contrastes e oportunidades. Enquanto o Copom inicia o ciclo de cortes da Selic — reduzindo a taxa para 14,00% — e as expectativas de inflação convergem para 5,03%, o ambiente doméstico mostra sinais de descompressão. O Real aprecia para R$ 5,08, menor patamar do ano. Contudo, é no cenário global que reside o movimento mais expressivo: a disparada dos metais preciosos, com ouro acima de US$ 4.350/oz e prata a US$ 64/oz, reflete uma busca estrutural por proteção contra a incerteza fiscal e geopolítica. A teoria clássica de alocação sugere que a alocação em metais preciosos e ativos de moeda forte deve ser elevada a componente estratégico das carteiras, enquanto a convergência inflacionária abre espaço para reposicionamento gradual em renda fixa indexada. A preservação do capital acumulado permanece como prioridade, agora com maior diversificação de fontes de retorno.

Análise dos Dados

Agosto de 2026

01

Metais Preciosos Disparam — Ouro e Prata (USD/oz)

O ouro ultrapassou US$ 4.350/oz (+30% no ano), e a prata saltou para US$ 64/oz (+71% no ano). A corrida por ativos-refúgio acelerou após dados fracos do mercado de trabalho americano — perda de 23 mil empregos em julho — que reduziram as expectativas de alta do Fed.

Oro (US$/oz)Prata (US$/oz)
Fev/26Abr/26Jun/26Ago/26350038004100460040557090

Fonte: Trading Economics; GoldPrice.org; APMEX

02

Copom Inicia Ciclo de Cortes — Trajetória da Selic (%)

O Copom reduziu a Selic para 14,00% a.a. em 5 de agosto, iniciando o ciclo de afrouxamento. A mediana do Boletim Focus aponta 13,75% para o fim de 2026, com expectativas de inflação em trajetória de queda.

Selic (14,00%)Mediana Focus (13,75%)
Mai/25Set/25Mar/26Ago/26111316

Fonte: Banco Central do Brasil — Copom; Boletim Focus

03

Real Aprecia para Menor Patamar do Ano — BRL/USD

O Real continuou apreciando, atingindo R$ 5,08 em agosto — o menor patamar desde o início do ano — impulsionado por fluxo exportador, entrada de capitais e melhora no cenário externo.

Dez/25Fev/26Abr/26Jun/26Ago/264.855.25.45.6

Fonte: TradingView; Yahoo Finance; Banco Central do Brasil

04

Expectativas de Inflação Convergem — IPCA Projeção Focus (%)

As projeções do Relatório Focus caíram pela quinta semana consecutiva, com o IPCA esperado recuando para 5,03% em 2026 — ainda acima da meta de 4,50%, mas em clara trajetória de convergência.

Mar/26Abr/26Mai/26Jun/26Ago/264.54.95.36

Fonte: Banco Central do Brasil — Boletim Focus

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