Athene Research
Apresentamos o relatório de evolução macroeconômica da Athene Macro, contextualizando as principais transformações conceituais que marcaram a transição entre as leituras de Julho e as novas dinâmicas observadas em Agosto de 2026.
Destaque do Mês
Agosto marca a aceleração de um movimento estrutural: a busca global por ativos-refúgio. O ouro rompeu a barreira dos US$ 4.350 por onça, acumulando valorização de 30% no ano e 8,9% apenas no último mês. A prata acompanhou o movimento com ainda mais força, saltando para US$ 64/oz — uma alta de 71% no ano e 11,5% no mês.
O catalisador imediato foi a fragilidade dos dados do mercado de trabalho americano: a economia dos EUA perdeu 23 mil empregos em julho, contra expectativa de criação de 80 mil, reduzindo as probabilidades de um novo aperto monetário do Fed. Somam-se a isso as tensões persistentes no Estreito de Ormuz e a forte demanda industrial chinesa por prata, com importações de minérios prateados crescendo 62,5% no acumulado anual.
Para o investidor brasileiro, a exposição a metais preciosos — seja diretamente via commodities internacionais ou via ações de mineradoras — emerge como componente estratégico de proteção do poder de compra em um cenário de incerteza fiscal e geopolítica global.
A transição para Agosto traz um cenário de contrastes e oportunidades. Enquanto o Copom inicia o ciclo de cortes da Selic — reduzindo a taxa para 14,00% — e as expectativas de inflação convergem para 5,03%, o ambiente doméstico mostra sinais de descompressão. O Real aprecia para R$ 5,08, menor patamar do ano. Contudo, é no cenário global que reside o movimento mais expressivo: a disparada dos metais preciosos, com ouro acima de US$ 4.350/oz e prata a US$ 64/oz, reflete uma busca estrutural por proteção contra a incerteza fiscal e geopolítica. A teoria clássica de alocação sugere que a alocação em metais preciosos e ativos de moeda forte deve ser elevada a componente estratégico das carteiras, enquanto a convergência inflacionária abre espaço para reposicionamento gradual em renda fixa indexada. A preservação do capital acumulado permanece como prioridade, agora com maior diversificação de fontes de retorno.
Análise dos Dados
O ouro ultrapassou US$ 4.350/oz (+30% no ano), e a prata saltou para US$ 64/oz (+71% no ano). A corrida por ativos-refúgio acelerou após dados fracos do mercado de trabalho americano — perda de 23 mil empregos em julho — que reduziram as expectativas de alta do Fed.
Fonte: Trading Economics; GoldPrice.org; APMEX
O Copom reduziu a Selic para 14,00% a.a. em 5 de agosto, iniciando o ciclo de afrouxamento. A mediana do Boletim Focus aponta 13,75% para o fim de 2026, com expectativas de inflação em trajetória de queda.
Fonte: Banco Central do Brasil — Copom; Boletim Focus
O Real continuou apreciando, atingindo R$ 5,08 em agosto — o menor patamar desde o início do ano — impulsionado por fluxo exportador, entrada de capitais e melhora no cenário externo.
Fonte: TradingView; Yahoo Finance; Banco Central do Brasil
As projeções do Relatório Focus caíram pela quinta semana consecutiva, com o IPCA esperado recuando para 5,03% em 2026 — ainda acima da meta de 4,50%, mas em clara trajetória de convergência.
Fonte: Banco Central do Brasil — Boletim Focus